"A Canção do Oceano": Como as histórias mudam a realidade
- Helena Vilaboim

- Jan 22, 2022
- 2 min read
“A Canção do Oceano” (Song of the Sea) é um filme de animação lançado em 2014 pelo estúdio Cartoon Saloon (O mesmo de “A Ganha Pão”) e dirigido por Tomm Moore. O longa de 1 hora e 33 minutos está disponível nas plataformas Oi Play, Claro Video, iPlayer e Google Play.

A narrativa, que se passa na Irlanda, segue Ben (David Rawle), um garotinho de mais ou menos 11 anos de idade, vivendo um farol com seu pai e sua irmã, Saoirse (Lucy O’Connel), depois do desaparecimento de sua mãe. Quando ele e Saoirse são mandados para morar com a avó, eles decidem voltar para casa e acabam conhecendo muitos personagens do folclore Irlandês pelo caminho.

O filme é maravilhoso para crianças e também para adultos. Além de tocar na parte cultural e histórica da Irlanda, a narrativa também lida com temas como luto e depressão de uma forma bastante lúdica mas que explica bem a condição. É importante notar que o roteiro, escrito em conjunto por Tomm Moore e Will Collins, é responsável em tratar do tema, e fazem questão de explicar que tentar se livrar da dor não é um caminho saudável. É preciso passar por ela.

“A Canção do Oceano” é um filme extremamente bonito visualmente. Utilizando o melhor da animação 2d, o filme tem uma paleta de cores calmas e convidativas, além dos designs dos personagens passarem uma simpatia instantânea ás audiências jovens e mais maduras. É perceptível que criar uma aventura agradável e emotiva foi prioridade dos produtores.

O desenvolvimento de Ben é também algo maravilhoso de assistir. Ele passa de um garotinho vingativo e medroso para um responsável irmão mais velho que entende muito mais do mundo desde o começo da jornada. Ele aprende mais sobre si mesmo, e como pessoas afetam umas as outras. Com isso, sua dinâmica com Saoirse e com o mundo ao seu redor muda também, e acompanhamos seu amadurecimento.
Como adicional ao filme já todo arquitetado para fazer o espectador sentir as emoções propostas, Bruno Coulais compôs uma trilha linda. É ao mesmo tempo triste e esperançosa, além de costurar juntas as tracks instrumentais e as cantigas folclóricas, dando á música do filme um ar mais antigo e misterioso.
Em conclusão, assim como outro filme do estúdio que o Matinê já falou sobre: “A Ganha Pão”, “A Canção do Oceano” é um filme interessante para iniciar conversas sobre temas mais densos e que podem permanecer tabu em algumas famílias de um jeito simples, mas compreensível para crianças.




Comments