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"A Volta Ao Mundo em 80 Dias": O que você faz quando a Aventura chama?

Volta ao Mundo em 80 dias” (Around the World in 80 Days) é a mais recente adaptação do clássico literário de mesmo nome escrito por Jules Verne em 1872. A série foi produzida pela companhia britânica de TV BBC, e conta com 8 episódios de 50 minutos cada. Até o momento, ela não está disponível em nenhuma plataforma brasileira.


David Tennant como "Phileas Fogg"

A narrativa adaptada segue o gentleman Phileas Fogg (David Tennant) que depois de acertar uma aposta com um adversário, promete circum-navegar o mundo em meros 80 dias. Junto com os parceiros de viagem: o vatete Passepartout (Ibrahim Koma) e a jornalista Abigail Fix (Leonie Benesch), Fogg enfrenta situações extraordinárias e perigos reais para completar a jornada no tempo previsto.


As obras de Jules Verne estão entre as mais adaptadas para as telonas do mundo. Isso porque nunca tem pouco espaço para uma grande aventura, e não tem um jeito melhor de começar um ano novo do que dando uma repaginada numa história de 150 anos de idade.


A adaptação tem uma atmosfera ousada e moderna em sua abordagem, e a BBC optou por um tom que algumas vezes vai contra a lógica real, mas mantendo o esqueleto da obra original em seu centro. As mudanças provavelmente vão ser assunto de pauta entre os leitores de Verne, uns abraçando as mudanças, e outros resistindo a elas. Mas “A Volta ao Mundo em 80 dias” sempre foi um conto sobre a imprevisibilidade de uma jornada e a resiliência na face da surpresa, e por isso a história ainda funciona como deveria.


Uma das “Viagens Extraordinárias”, como o conjunto de romances de Jules Verne é chamado, a minissérie não deixa de entregar aos espectadores paisagens fantásticas, situações tensas e obstáculos que deixam a audiência prendendo o fôlego. A produção foi o conjunto de esforços de vários países, como a própria Inglaterra, a França, a Bélgica e a África do Sul, nos proporcionando cenas como:


A estrutura em "capítulos" da minissérie homenageia a origem literária ao mesmo tempo que organiza a aventura de um jeito que faz sentido, e permite que cada episódio seja dedicado á um lugar novo dando uma profundidade boa àquela parte da narrativa, e trazendo um gostinho de "quero mais".


Os cenários, os atores extras, o roteiro, a direção e as performances dos protagonistas trabalham juntos para criar uma ambientação contagiosa e charmosa, sem deixar a aventura de lado. O interessante nessa adaptação é que eles deram um passo a mais, e o roteiro sutilmente critica a colonização britânica na Índia e Hong Kong, além de abordar uma situação problemática nos Estados Unidos: a origem da Ku Klux Klan.


A caracterização dos personagens também conversa com o tema da imprevisibilidade. O Phileas Fogg do Tennant é um homem fechado ao mundo exterior que quando se aventura fora de sua bolha do "Reformers Club", descobre que a teoria da jornada é muito diferente da prática. Ele é inexperiente, recluso e idealista, características que virão a ser a fonte de muitos obstáculos.


Ibrahim Koma como "Passepartout"

Diferentemente do livro, o Passepartout de Koma é um personagem multifacetado, e literalmente a definição de seu nome, que em francês se traduz como a expressão "pau para toda obra" em português. A ele é dado um passado, e habilidades fantásticas que se provam bastante úteis ao decorrer da viagem. Além do mais, foi uma surpresa descobrir um ator de cor conseguiu o papel, e em vez de um homem diminuto, branco e que muitas vezes é usado como alívio cômico no livro, o Passepartout da versão da BBC é também é capaz, inteligente e imprescindível, além de multi-dimencional.



Leonie Benesch como "Abigail Fix"

Mas a maior mudança do texto original é sem dúvidas a de Abigail Fix, a jovem e persistente jornalista que na minissérie é uma aliada de Fogg, mas no livro é o Policial Fix que representa um obstáculo constante para a completação da jornada de Fogg. Essa diferença adicionou representatividade ao elenco principal, que hoje em dia é muito bem vinda. A Abigail de Leonie Benesch é inteligente, esperta e extremamente persistente, além de representar um contraponto para a negatividade e as dúvidas dos outros dois.


A dinâmica do trio é rochosa de início, mas que com o passar dos episódios, e tendo passado por adversidades juntos, os protagonistas criam um laço de admiração, confiança e amizade uns com os outros, mas que infelizmente não chega a ser forte o suficiente para formar uma unidade fixa, com cada um deles retendo a individualidade própria até o fim da jornada.


Isso é interessante, pois apesar disso acontecer, a decisão de continuar juntos parece ser independente dos personagens e por isso natural. E agora que a série já foi renovada para uma segunda temporada, podemos somente esperar que essa dinâmica seja melhor desenvolvida.


Adicionando ao tom urgente, mais aventureiro, a trilha sonora é composta em conjunto pelo grande Hans Zimmer e Christian Lundberg. A track da abertura é uma que fica na cabeça, e apresenta logo o tom da narrativa.


Em conclusão, a minissérie "A Volta ao Mundo em 80 Dias", é uma adaptação que dobra as regras cimentadas pelo livro em que é baseada, sem quebrar 100% as tradições vernianas. É com certeza uma obra que vale a pena assistir, e que, dado o momento de seu lançamento, pode ser um convite a embarcar numa aventura no ano que começa.
















 
 
 

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Matinê Baiana

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