"Arquivo 81": Do Podcast á Netflix
- Helena Vilaboim

- Jan 21, 2022
- 2 min read
“Arquivo 81” (Archive 81) é uma série de terror sobrenatural original Netflix que estreou na plataforma no dia 14 de Janeiro de 2022. A série é baseada num podcast de mesmo nome, e a primeira temporada contém apenas 8 episódios de 1 hora de duração cada.

A narrativa da série segue Dan Turner (Mamoudou Athie), um restaurador de fitas de vídeo nos temos atuais. Quando ele é contratado por um bem-feitor para recuperar gravações danificadas, cai num mundo misterioso de cultos centenários e desaparecimentos em plena Nova York de 1994 .
A trama dos episódios de “Arquivo 81” se divide em 2 linhas temporais. Numa seguimos Dan nos tempos atuais, e na outra que se passa em 1994, a audiência aprende sobre o contexto de Melody Pendras (Dina Shihabi), uma documentarista que chega num prédio misterioso em busca de respostas sobre seu passado.

A série tem uma boa dinâmica, e um contexto bom de onde partir, e ela se desenvolve bem nesses parâmetros. O problema do roteiro, é o desenvolvimento dos personagens, em especial o grupo protagonista do tempo presente. Embora suas reações aos desdobramentos do plot de 1994 sejam essencialmente humanas, o local limitado e as poucas interações entre os personagens faz com que seu principal objetivo seja a completação do trabalho, o que causa a “robotização” deles.
Com isso, os protagonistas são infelizmente reduzidos á arquétipos, como o protagonista rebelde com um passado trágico, o amigo que larga tudo para poder ajudá-lo (Matt McGorry), o antagonista paciente e misterioso (Martin Donavan) e por aí vai. O que acontece então é que é bem possível que a audiência não conecte com esse grupo logo de início, o que é uma jogada arriscada para uma série tão longa.
Por outro lado, o grupo de 1994 é super conectado, e um grupo bastante excêntrico.
Isso porque inocente do plot a sua volta, o objetivo de Melody é conhecer seus vizinhos. Sua motivação então começa a se conectar com as do grupo do prédio melhorando a dinâmica entre os residentes, e também dando um peso de suspense a mais á situação da protagonista.

Além desse problema, o roteiro falha em explicar como a parte sobrenatural funciona no universo da série, não no sentido de deixando algumas partes em branco, mas realmente contradizendo uma lógica estabelecida as vezes no mesmo episódio.
A direção, primariamente creditada a Rebecca Thomas, é decente mas se apoia bastante em truques clássicos como jump scare anunciados. Mas fora a previsibilidade nos episódios, eles funcionam, e conseguem prender o espectador em algumas partes.
“Arquivo 81” é certamente uma série que é divertida e pode ser maratonada em apenas um dia. Com o final aberto, a série pode muito bem ter uma segunda temporada no futuro. Ela também funciona como um incentivo para que os mais interessados na história comecem a ouvir o podcast, onde certamente a narrativa deve ser melhor desenvolvida.




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