"As Horas": Alguém ainda tem medo de Virginia Woolf?
- Helena Vilaboim

- Aug 9, 2021
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“As Horas” (The Hours) é um filme que estreou em 2002, e foi indicado, ao Oscar de melhor filme do ano - E mais outras 7 categorias -, além de ter levado o Globo de ouro por melhor filme, e rendido o Oscar de melhor atriz para Nicole Kidman. Com 1 hora e 40 minutos, o longa está disponível no Brasil apenas nas plataformas ITunes, Now e Claro Video.
A narrativa de “As Horas” é baseada num livro homônimo de Michael Cunningham que segue três linhas temporais distintas, e a história se passa num dia só na vida dessas três mulheres, ligadas apenas pelo livro “Mrs. Dalloway”, de Virginia Woolf. O longa fala de vida e morte, decisões para preservar a própria existência saudável e das vidas vividas em prol de outra pessoa.
“As Horas” não é um filme fácil de ser digerido e entendido numa única vez. Instigando o espectador a rever o filme para entender melhor suas temáticas e lições, mas que no campo emocional e sensitivo não é nada complicado, apesar de complexo. Os dramas que as protagonistas enfrentam é algo que todos já experimentaram, seja em maior ou menor grau.
No elenco, temos performances maravilhosas de Meryl Streep como Clarissa Vaughn, Julianne Moore como Laura Brown e claro, Nicole Kidman no papel da famosa escritora Virginia Woolf. Dentro de uma narrativa que é composta por décadas em que o papel das mulheres é diferente, as três viram verdadeiras âncoras de unidade no filme.

Os atores secundários também roubam a cena, em especial a performance de Ed Harris como Richard Brown, um poeta que está ás portas da morte. Stephen Dillane divide a cena com Nicole Kidman, fazendo o papel de Leonard Woolf, marido de Virginia. As cenas em que os pares estão juntos são tensos e cheias de carga emocional, que exercitam os temas que são explorados na narrativa.
A direção de Stephen Daldry é habilidosa em costurar as linhas temporais juntas principalmente no início do filme, com planos que se complementam, ou cuidadosas repetições de diálogos e movimentos, deixando a conexão entre as três vidas mais óbvia. Mas de acordo com a progressão do filme, a direção fica mais básica, dando mais individualidade aos dramas únicos das protagonistas.
A escolha de “Mrs. Dalloway” como a conexão entre as três mulheres deixa o tema do longa mais claro para quem já leu o livro: a realidade passageira do tempo, e como o estresse e a saúde mental desmoronando afeta as pessoas ao redor de quem sofre. E mais que isso, o roteiro hábil de Michael Cunningham e David Hare chama a atenção através das personagens de que um choque de realidade as vezes é necessário para que possamos por nossas vidas e a nossa felicidade em primeiro lugar.

“As Horas” é um filme que tem um final agridoce, pois ele apresenta a passagem pela tristeza e luto para chegar á reflexão de que o importante é a busca e a luta pela felicidade, e encarar a vida como ela é, e não pelas lentes do que outras pessoas esperam de outras. São quase duas horas que exercitam o olhar interior, e só por isso merece as indicações e os prêmios arrecadados.




Puxa! Eu já vi mas não recordo mais... Só lembro da sensação de que me tocou. Vou com certeza rever. Ótima dica!