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Cruella: Empolgante e Impactante.

Cruella é uma surpresa mais do que agradável, sendo, na minha opinião, uma das produções mais maduras da Disney Studios em seu longo percurso de live actions, que se caracteriza predominantemente, por seus erros ao longo dos anos em adaptar animações clássicas a narrativas live action. Cruella não é o caso, ela é um acerto, e muito alto. Cruella me surpreendeu de uma forma que há muito tempo não havia sentido. Mesmo com um plot possivelmente previsível, a dramaturgia e profundidade da protagonista, carregada com excelência por Emma Stone, que está brilhante no seu papel, consegue trazer uma maturidade visual difícil de se encontrar em um estúdio que sempre teve destaque no público infanto-juvenil.


Passando sua maior parte na década de 70 em Londres, Cruella conta a trajetória de uma brilhante, porém astuta e imprevisível personagem chamada Estella, que sonha em trabalhar com design. Com a descoberta de algo relacionado ao seu passado, Estella abre portas para seu alter ego Cruella, que, movida por vingança, irá fazer tudo o que for preciso para conquistar o que é seu por direito.

A história, adaptada da clássica animação “101 dálmatas", não é fiel a mesma, trazendo o prelúdio da história de Cruella, desde sua infância até o surgimento de sua persona estilística. Porém, não quer dizer que o filme ignore toda a sua origem, trazendo referências que são bem capturadas a até uma cena pós crédito que deixa qualquer fã da obra satisfeito.


Cruella não é uma personagem preto ou branco como seu icônico cabelo, sua personalidade é cinza. O filme não tenta amenizar sua vilania, mas ao mesmo tempo nos demonstra todas as suas fragilidades e fraquezas, sendo um equilíbrio coerente, humano. Cruella passa a ser uma personalidade complexa, que não vem presa em uma caixa de bem e mal, e sim em uma profundidade entre moralidade que consegue ser coerente no decorrer do filme, sem justificar suas vilanias, mas também sem a demonizá-la.


Os personagens fluem na narrativa com profundidade. Arquétipos clássicos são quebrados, misturando personagens com mais de um papel narrativo. Os amigos podem se tornar antagonistas, a mentora uma vilã, a antagonista uma ajudante, eles conseguem fluir naturalmente por esses arquétipos, sem seres estagnados a terem apenas uma única função. Por exemplo, os capangas bobalhões da animação, Jasper e Horácio, interpretados respectivamente pelos atores Joel Fry e Paul Walter, perdem a sua superficialidade de apenas servir a Cruella, para personagens essenciais, com justificativas coerentes pelo motivo de serem aliados a ela. A também a presença da clássica personagem da animação, Anita Darling, que apesar de não ter tanta presença no filme, a atriz Kirby Howell Baptiste consegue criar seu próprio destaque, sendo uma atuação importante a ser destacada.


Obviamente que o protagonismo é de Cruella, mas Emma Thompson, em seu brilhante papel como a Baronesa, consegue não roubar, mas compartilhar a cena brilhantemente com Emma Stone. A química entre elas é sensacional, e cada diálogo e cena em que as duas estão presentes desenvolvem a trama. Ambas as personalidades podem ser consideradas maquiavélicas, e mesmo assim, você não deixa de acabar torcendo por uma ou esperar os próximos passos da outra.


O filme é maduro, a direção não tenta fazer planos simples, trazendo uma complexidade pouco conhecida em live actions da Disney. Planos bem trabalhados são bem sincronizados com uma edição bem rítmica, cenários de uma Londres da década de 70 bem ambientado, com uma trilha sonora brilhante composta por Nicholas Britell, e figurinos de tirar o fôlego de Jenny Beavan, autora de mais de 40 figurinos da Disney e do filme “Mad Max: Estrada da fúria". O filme ainda conta com uma música original viciante feita pela banda “Florence + The Machine” chamada “Call me Cruella”.

Acredito até mesmo que se fosse de outro estúdio, a Cruella não faltaria xingamentos em seu palavreado ou brigas sangrentas, mas, como continua sendo da Disney, a Cruella pode não xingar, mas bebe a vontade, dirige carros em alta velocidade, e não tem medo de agredir mais de uma pessoa. Logo, já é visível que o filme não é recomendado para todos os públicos, tendo a classificação indicativa para maiores de 13 anos nos Estados Unidos.


Cruella é aquele tipo de filme que acaba e você pensa nele por muito mais tempo. A narrativa de 2 horas e 13 minutos pode aparentar ser cansativa para alguns em sua primeira hora, o filme não corre em apresentar a Cruella que conhecemos logo de cara, ele constrói e desenvolve aos poucos cada pedaço essencial para concluir essa persona tão peculiar e interpretada por atrizes icônicas ao longo dos anos. Cruella é brilhante, um filme que não decepciona. Ele consegue construir uma personagem em tela sem correr ou cair em facilitadores, se tornando um filme que ficará na memória de muitos por um bom tempo.


 
 
 

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Matinê Baiana

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