Crítica: A barraca do beijo 3
- Clara Ballena
- Aug 12, 2021
- 3 min read
Finalizando uma trilogia que deu o que falar, “A barraca do beijo 3” se despede de sua narrativa teen, finalizando o arco de uma forma, surpreendentemente, madura.

A narrativa que acompanha o trio Elle Evans (Joey King), seu melhor amigo Lee Flynn (Joel Courtney) e seu par romântico Noah Flynn (Jacob Elordi) se despede de sua história exatamente do ponto em que o segundo filme termina: Com Elle passando nas respectivas faculdades em que seu amigo e namorado estão, e tendo que decidir quem irá, querendo ou não, magoar: seu melhor amigo de infância, ou seu amor (ambos ainda por cima sendo irmãos).
O trailer aparenta trazer uma perspectiva de que a narrativa iria fluir entre essa indecisão, mas ela é logo quebrada no começo do filme, já tirando a descrença que o público criou mediante ao trailer, e abrindo portas para trabalhar a perspectiva dos personagens, diante a decisão de Elle. Mediante a isso, é importante acrescentar que, ao longo da narrativa, a perspectiva de uma construção emocional e madura dos personagens caem por água abaixo. O primeiro ato do filme se constrói em uma frenesi de cenas irreais, montadas em estilos de videoclipes, aparentando ser coerente para a trama, mas sem verossimilhança com o universo da trilogia.

O filme gasta muito tempo de cena com sequências, que apenas acrescentam a possibilidade de diversão para os personagens, sendo raros os momentos em que elas são realmente úteis para a narrativa. A repetição de paixões do segundo filme, ocorrendo até cenas parecidas, intercalado com momentos em que nos desacreditam do casal construído ao longo de 3 filmes, trazem sérias confusões ao público.
Os caminhos e decisões tomados pela protagonista, mesmo sendo coerentes com a idade em que ela está, são carregados de falta de lógica ou cabimento. O restante dos personagens também estão incluídos nisso. O filme a todo o instante os coloca em situações mínimas para agirem de modo egocêntrico e individualista, sendo incoerente com a trama, que sempre pontuou a aproximação e forte laço entre os personagens.
As atuações aparentam estar acomodadas em seus personagens, mas, reconhecendo o brilhante trabalho do casal Elle e Noah em outros conteúdos (Com a série “The Act” para Joey e “Euphoria” para Jacob), surge o questionamento se a direção não soube aproveitar devidamente o elenco que tinha. Outros personagens, como Marco (Taylor Perez) e Chloe (Maisie Richardson-Sellers) servem apenas como papéis respectivamente, de empecilho e aliada. Vemos pouco de suas histórias, e a finalização incompleta delas só demonstra mais uma falha do roteiro em relação a construção de seus personagens.

Com mais repetições e atitudes que fazem o público pensar no que está ocorrendo, a finalização do segundo ato, que nas narrativas clássicas é o declínio do protagonista, onde tudo dá errado, é seguido fielmente neste filme. Porém, com a entrada do terceiro ato, certas mudanças se iniciam, trazendo os pontos positivos do filme.
A postura e amadurecimento dos personagens, e a fuga de um final clássico, surpreenderam pelo fato da trilogia inicialmente aparentar ser uma história que sempre traria um final feliz. E não que isto não ocorra no filme, mas, diferente dos seus antecessores, a protagonista se propõe a finalmente se priorizar, a perceber o futuro que deseja e o seu caminho, independentemente dos seus relacionamentos masculinos, que sempre viveram em sua vida. Elle passa a caminhar com os próprios pés, a reconhecer seus erros e consequentemente, passa a ter uma boa construção, mesmo ela sendo apenas no terceiro ato.
O último ato deixa finalmente os personagens terem diálogos entre si, sem encher de cenas desnecessárias. Finalmente permite deixar seus personagens a construírem seus sentimentos e decisões, a reconhecer que a tão sonhada fantasia em que estavam vivendo estava chegando ao fim, e que escolhas deveriam ser tomadas, mesmo que elas fossem difíceis de engolir.
As escolhas que o trio toma, sendo finalmente decisões maduras, das quais estavam fugindo ao longo do filme, mudam a perspectiva central do tema principal do filme, que, ao sempre se tratar como um romance, se torna sobre amadurecimentos, o saudosismo da infância, e sobre como podemos preservar nosso passado, mas não podemos viver nele para sempre.

A barraca do beijo 3 pode inicialmente aparentar ser mais um filme teen da Netflix, e tem seus pontos negativos. Mas, ao corrigir parte de seu passado, e abrir portas para um futuro diferente, o filme acaba por se tornar extremamente importante para uma juventude que, carregados de tramas repetitivas, a ver uma nova narrativa que se propõe a mostrar, que nem sempre só o amor é suficiente.




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