Crítica: Animal Cordial
- Clara Ballena
- Jul 9, 2021
- 2 min read
Lançado em 2017, e entrando recentemente no serviço de Streaming Netflix, sendo também encontrado na Globoplay, o filme de Gabriela Amaral surpreende por sua fuga da narrativa clássica, tornando sua trama inesperada, podendo agradar aos que se interessam por uma trama diferenciada. Ao mesmo tempo, seu diferencial pode se tornar um empecilho aos que, acostumados com uma trama clássica, achem o filme confuso e sem lógica.

O filme, que ocorre em apenas um cenário e filmado em ordem cronológica (ou seja, a ordem de filmagem foi a mesma da trama) acompanha a história de Inácio ( Murilo Benício), dono de um restaurante de classe média em São Paulo. No último turno da noite, com apenas poucos clientes, Inácio e uma pequena parte de sua equipe, Sara (Luciana Paes) e Djair (Irandhir Santos), são surpreendidos por uma dupla de assaltantes, desencadeando eventos inesperados.
Ter 8 personagens em cena em um único ambiente, e segurar uma narrativa interessante por muito tempo não é uma tarefa fácil. Gabriela Amaral consegue com proeza realizar planos que, no mesmo ambiente, dão ideias de abertura ou de compressão. O que pode segurar o filme para muitos é a incerteza, o telespectador é guiado pelo desconhecido, sem ter nenhuma ideia, ou segurança, de como serão os próximos passos a serem dados. Os personagens apresentam inicialmente sutilezas muito bem demarcadas pelo roteiro de Gabriela, dando uma base, caso os olhares estejam atentos, de que há algo de errado desde o começo. Mas, com o decorrer da trama, as reviravoltas e acontecimentos são tão animalescos e inesperados, que qualquer tentativa de pensar quais serão os próximos passos são falhas, e só resta ao telespectador ficar de olhos atentos para saber o que irá ocorrer nos minutos finais dessa imprevisível e sangrenta narrativa.

Com um grupo de atores de peso, não é à toa o valor de produção ter sido de 1,5 milhões de reais. Inácio e Sara possuem destaque na narrativa, carregando monólogos e nuances que beiram ao Slasher, onde conseguem carregar com maestria as loucuras psicóticas de seus personagens, sem beirar ao exagero. O restante do elenco, como Camila Morgado, Jiddu Pinheiro, Ernani Moraes, Humberto Carrão e Ariclenes Barroso cumprem com seus papéis, entregando atuações genuínas, dando apenas pequenas escapadas com certos diálogos expositivos, mas que podem ser fáceis de esconder visto a quantidade de sangue e atrocidades presentes em cena.
Animal Cordial é um filme com o propósito de mostrar o lado animalesco do ser, que, quando exposto a uma situação de soberania, pode ser capaz dos desejos mais proibidos e carnais. Não é um filme para muitos, é necessário entender o que a narrativa propõe, e principalmente, ter um salto de confiança no novo e desconhecido que Gabriela Amaral propõe. Se essa experiência será boa ou não, dependerá unicamente do gosto de cada telespectador, e de sua abertura a algo diferente do que se vê.




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