Crítica: Control Z - Segunda temporada
- Clara Ballena
- Aug 10, 2021
- 3 min read

“Control Z”, série mexicana criada por Carlos Quintanilla Sakar, Adriana Pelusi e Miguel García Moreno, atraiu o público na sua primeira temporada por se voltar a uma trama adolescente carregada de mistérios, em que um Hacker misterioso estava expondo o segredo dos alunos do Colégio Nacional. Com isso, a isolada, porém bem observativa, Sofía Herrera (Ana Valeria Becerril), tenta investigar o caso enquanto lida com seus problemas pessoais. Com uma abertura interessante e algumas péssimas atuações, a série finalizou sua primeira temporada resolvendo o mistério do arco principal, mas abrindo portas para uma segunda temporada.
Estreado no dia 4 de agosto, a segunda temporada de Control Z, abre com uma trama interessante, melhorando algumas atuações, e trazendo um mistério novo, porém no mesmo formato que seu antecessor. Com um inimigo que agora ameaça a integridade física dos alunos, Sofia embarca novamente na jornada de descobrir a identidade do novo inimigo, que desta vez, quer vingar a morte de Luís (Luis Curiel), que ocorreu no final da primeira temporada.
A temporada já inicia na ação dos planos do “vingador”, que já demonstra ser uma ameaça maior que o seu antecessor. Enquanto alguns personagem, em paralelo ao arco da vingança, conseguem desenvolver sua narrativa de forma interessante, outros decaem e aparecem em cena por nenhum motivo, como se o roteiro não tivesse tido tempo para os desenvolver nesta temporada.
Enquanto Sofia lida com seus sentimentos em paralelo com a busca pelo “vingador”, Garry (Patricio Gallardo) com a culpa e se tornando um foragido pela polícia após a morte de Luís, e Natalia com a busca por conseguir pagar as dívidas com traficantes, ambos os personagens possuem arcos com começo, meio e fim, conseguindo desenvolver suas tramas além do arco principal, e trazendo propósitos que interessam o público em acompanhar a série.

No extremo oposto, temos personagens com propósitos rasos, ou aparições de uma única atitude, que cansam o público e não acrescentam na trama, como no caso de Pablo (Andrés Baida) que, repetindo até mesmo os diálogos, apenas surge em cena para, literalmente e somente, bater no personagem Raul (Yankel Stevan) que, verdadeiro vilão da temporada anterior, ressurge com um arco de redenção fraco, além de um complexo romance com a protagonista.
O fator de não trabalhar com essa gama de personagens, causa problemas graves na narrativa, mesmo com seu arco principal sendo a busca pelo “vingador”. Quando se tem personagens mal trabalhados, suas tramas se tornam incoerentes de serem acompanhadas, e personagem que, pelo final da primeira temporada, pareciam que iriam ter destaque na segunda, como no caso de Javier ( Michael Ronda) e Maria (Fiona Palomo), apenas se tornam apoio para outros, sem ter uma narrativa própria, ou ao menos lidar com alguma problemática pessoal.
Partindo para o arco principal, em relação ao “vingador”, aqui, o que inicialmente aparentava ter uma boa narrativa, se perde no decorrer dos episódios. Na primeira temporada, e assim como diversas séries que envolvem investigações, é fundamental não apenas que os personagens, como o público, se envolvam e encontrem pistas para solucionar o mistério. Aqui, além do público obter uma informação que não foi gerada pela protagonista (que seria na série, nossa guia para estas descobertas), o mistério final acaba não tendo sido solucionado através de lógicas ou ocorrências vividas pela Sofia. Fazendo com que o mistério final se torne óbvio para o espectador antes da grande revelação, e a personagem acaba por chegar ao raciocínio através de pistas rasas.
Control Z vem de uma geração de séries da Netflix que conseguem envolver os jovens, mas que acaba se perdendo no decorrer de suas temporadas. A série, que está em alta na netflix e finalizou com arcos abertos, claramente possui expectativas de ser renovada. Diante de uma premissa interessante e de personagens possíveis de se desenvolver, Control Z não aparenta estar totalmente perdida, mas se continuar nesse caminho, pode estar à beira do precipício.




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