Crítica: "Harry Potter - 20 Anos de Magia: De Volta a Hogwarts"
- Clara Ballena
- Jan 10, 2022
- 2 min read
O uso da Nostalgia vem sendo utilizada a alguns anos com o objetivo de atrair públicos a retomar grandes clássicos, além de garantir um sentimento de segurança e saudosismo perante a uma pandemia que dura dois anos. Assim como o especial de “Friends” (Que você pode conferir a crítica no nosso site), “Harry Potter - 20 Anos de Magia: De Volta a Hogwarts” reúne seu querido elenco para relembrar momentos que marcaram uma geração de jovens e revolucionou o mercado literário.

Estreando no dia 01 de Janeiro de 2021, o especial está disponível no Streaming HBOMAX, tendo 1h40 de duração. Com a retomada do elenco após anos sem se reunirem, o sentimento de nostalgia abate desde os primeiros minutos. Há uma facilidade em mexer com o sentimentalismo nostálgico do universo de Harry Potter, especialmente pelo mesmo ter acompanhado o crescimento de inúmeros jovens, que agora adultos exaustos, encontram um reconforto ao rever rostos tão conhecidos.
Os sorrisos e olhares de momentos em que o elenco se reencontra é maravilhoso, mesmo sendo claramente ensaiado. O especial não percorre um caminho natural, permitindo o imenso elenco de se reunir e simplesmente debater sobre os bastidores. Sendo divididos em grupos, o especial é guiado pelas narrativas dos filmes, seguindo sua ordem cronológica de lançamento através de Daniel Radcliffe realizando perguntas aos diretores de cada filme.
O queridinho trio formado por Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint se reúnem ao longo do especial como se jamais tivessem se distanciado, sendo claro a saudade e carinho que sentem. A uma presença marcante da maioria do elenco, que participa ou rapidamente, ou a partir de seu papel em cada filme. Aos que infelizmente se foram, a uma homenagem mais que especial, capaz de emocionar qualquer fã.

Tendo o potencial de fazer qualquer fã chorar com momentos marcantes, o especial não apresenta nenhuma novidade dos bastidores que um fã não saiba facilmente com uma rápida pesquisa na internet. O que vale é muito mais o reencontro que novas informações, sendo uma falta extrema para um especial tão longo. Apesar de parecerem confortáveis um com os outros, o especial é altamente roteirizado, gerando um bom entendimento linear para se compreender a narrativa proposta, mas superficial em diversos momentos.
Após recentes comentários extremamente transfóbicos que a autora do universo de Harry Potter insiste em trazer em suas redes sociais, fica claro o desempenho da produção de tentar não trazer sua pessoa à tona, utilizando-se de filmagens feitas em 2019 cortadas de maneira rápida, para que sua aparição seja a menor possível. É difícil perceber que um universo que mexeu com tantos jovens tenha sido criado por uma pessoa que, carregada de preconceitos, não reconhece, nem muitos menos tenta aprender com seus erros. A autora então passa a ser o seu próprio vilão, sendo “Aquela que não deve ser nomeada”, dando um gosto amargo a uma história que para muitos era um refúgio.
Com uma qualidade cinematográfica e reencontros positivos, é inegável o sentimento de tristeza, não nos sendo capaz de diferenciar o autor da obra. O sentimento final que fica é de um saudosismo azedo, que por mais que seja capaz de nos trazer pequenas felicidades nostálgicas, a mágica não é suficiente para se esquecer da cruel realidade.




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