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Crítica- "Rebelde": Nem sempre a nostalgia é suficiente

Se apresentando como um reboot, porém se passando no mesmo universo e trazendo tantos personagens, como narrativas idênticas ao original, “Rebelde”, série da Netflix lançada no dia 5 de Janeiro de 2022, tenta emplacar na nostalgia, porém perde a mão ao construir uma história rasa e sem personalidade.


A nova versão da telenovela mexicana acompanha a vida dos estudantes da EWS, colégio onde foi formado a banda de sucesso RDB, ou Rebelde. Com o sonho de participar da batalha de bandas, os protagonistas: Jana (Azul Guaita), Estebán (Sergio Mayer Mori), M.J (Andrea Chaparro), Andi (Lizeth Selene), Dixon (Jerónimo Cantillo) e Luka (Franco Masini) devem lidar com a volta da “Seita”, grupo misterioso que ameaça a integridade dos alunos.


Como citei em algumas críticas anteriores, o movimento nostálgico está no auge, e seu uso extremo cria um mercado onde a originalidade vive em escassez. Logicamente, a um efeito rápido que o mercado deseja quando se utiliza dessa metodologia: a leva de fãs e rápida empatia pela história por ser puramente algo que retoma o passado de forma positiva. Com isso, um péssimo roteiro pode tentar ser acobertado por canções nostálgicas e adereços que lembram o clássico, mas que raramente podem salvar uma narrativa seriada.


Por ter sido originalmente uma telenovela para público jovem, a linguagem, assim como narrativa, são colocadas de maneira superficial, podendo ser entendida por um público geral. Ao tentar aplicar a mesma linguagem a uma série original de streaming, e com classificação indicativa para 16 anos, a proposta se perde, pois além de não criar uma comunicação em comum com a idade, acaba por torná-la frágil e extremamente mal conduzida.


Os personagens raramente passam por enfrentamentos ao longo da narrativa a fim de superá-los e se tornar melhores versões de si mesmos. O conflito do inimigo em comum, de nada serve além de ter antagonistas na história. Sem nem ao menos ter um propósito claro de realizarem tais atrocidades, o grupo mascarado é frágil e extremamente mal roteirizado.


Dos personagens que se desenvolvem, as descobertas pessoais são precárias, sem propósitos claros. Entre péssimas atuações e dinâmicas mal conduzidas, salvam-se raras exceções, como no caso da atriz brasileira Giovanna Grigio, que interpreta a personagem Emília. Um dos pontos positivos da narrativa é a representatividade LGBTQIA+, sendo retratada em diferentes personagens e de forma naturalizada.

Giovanna Grigio e Lizeth Selene como "Emilia" e "Andi"


“Rebelde” é carregada a todo o instante pela nostalgia, dependendo dela para construir todo o arco de seus novos personagens. Podendo ser assistida rapidamente, ela consegue agradar em raros momentos ao relembrar canções clássicas do original, mas cansa e se perde em seu próprio meio. Já tendo a confirmação de uma segunda temporada, espera-se que as problemáticas sejam corrigidas, e que a série consiga se apoiar em sua própria narrativa, sem a necessidade de ser carregada a todo o instante pela original.

 
 
 

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Matinê Baiana

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