"O Homem de Palha": Para ver antes ou depois de Midsommar
- Helena Vilaboim

- Jan 31, 2022
- 2 min read
“O Homem de Palha” (The Wicker Man) é um filme de horror dirigido por Robin Hardy e escrito por Anthony Shaffer e David Pinner em 1973. No Brasil, o longa está disponível na plataforma OldFlix, e tem a duração de 1 hora e 34 minutos.

A narrativa segue o policial Neil Howie (Edward Woodward) durante sua investigação para solucionar o desaparecimento de uma garotinha na pequena ilha escocesa de Summerisle. Ao encontrar evidência contrária á existência da menina, o policial começa a suspeitar dos moradores da ilha que praticam estranhas tradições.
Um dos pioneiros a explorar e desenvolver o subgênero que está sendo chamado de terror folclórico, o roteiro e o horror de “O Homem de Palha” parte da perspectiva de “eu contra eles”, mostrando diferenças bastante óbvias entre o protagonista, um policial católico fervoroso; e os moradores da ilha: liberalistas e denominados pagãos.
Está aí o maior problema do filme. Pela curta duração do longa, e pela complexidade do tema que o roteiro se propôs a tratar, os personagens ficam presos numa camada só de sua personalidade, que é a crença nas religiões que são “opostas”.

Nada sabemos da visão de mundo do protagonista, por exemplo, ou da sua história prévia á ilha. A sua moralidade é guiada pela crença purista na religião que resolveu adotar, e que ele insiste em impor aos moradores da ilha, mesmo sendo minoria absoluta na situação em que se encontra.
Logo, a impressão que se dá é que o policial Howie é mais um símbolo que uma pessoa, chegando até a beirar a toxidade e portanto a humanidade e a simpatia pelo personagem ficam comprometidos, pois o símbolo que ele representa pode não ser algo com que a audiência se relacione, ou até com que os espectadores discordem. E a maneira enfática com que ele age não facilita.
É interessante que os roteiristas optaram por sacrificar esse aspecto importante do protagonista, pois essa escolha também afeta a experiência da audiência com o resto do filme. É interessante também porque partindo do pressuposto de que o objetivo era criar um protagonista pouco simpático, a moral no final do filme pode até ficar confusa, embaçada.

Contrastante ao protagonista puritano, os moradores da ilha apresentam um comportamento muito mais liberal em relação ao sexo e nudez, e são apresentados como amantes da música e devotos ás tradições antigas e tratadas como pouco sofisticadas e esquisitas. O antagonista que personifica isso tudo é Lord Summerisle (Christopher Lee), o grande manipulador das circunstâncias da queda do protagonista.
O melhor do filme é a direção. Robin Hardy consegue alcançar a atmosfera macabra e bizarra que deixa o espectador de cabelo em pé desde o início do filme, e isso sem mostrar imagens que são assustadoras, optando pelo suspense e pela mera sugestão do macabro que funciona muito bem. O cúmulo do terror é realmente a cena final, quando tudo está perdido para o policial.

“O Homem de Palha” é certamente um filme que merece ser assistido, não só pelo valor histórico que ele carrega, mas também por causa das maravilhosas performances do elenco como um todo e pela direção de Hardy.




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