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"O Mistério de Silver Lake": Conspiração e Podridão em Hollywood


Poster de Under the Silver Lake

Existem filmes que quanto mais você leva a sério, menos você se diverte assistindo, e ainda acaba perdendo o sentido dele. O Mistério de Silver Lake (Under the Silver Lake) é um deles. Um clássico cult instantâneo, produzido pela A24 e liberado em 2018, é um filme praticamente desconhecido e que dividiu a audiência na metade. É o caso “ou me ama, ou me odeia”, não existe meio termo aqui.


Nós seguimos Sam (Andrew Garfield), um jovem morando nos subúrbios da cidade de Los Angeles, e temos a impressão que ele tentou uma carreira que não deu certo em Hollywood, e passa seus dias em seu apartamento, tendo relações casuais com algumas mulheres. Quando ele conhece a nova vizinha, Sarah (Riley Keough), e ela some sem mais nem menos depois de uma noite, Sam fica obcecado em descobrir seu paradeiro.



Riley Keough como "Sarah"

Uma mistura de cinema Noir com pitadas non-sense, teorias de conspiração e muita crítica á própria indústria cinematográfica, o filme tem como tema principal a busca infundada pelo sentido em coisas que não são regidas pela lógica, além da obsessão tóxica de ídolos. Pelas lentes de David Robert Mitchell, que dirigiu e também escreveu o roteiro, esses temas ficam bem aparentes de uma forma que é natural ao filme, apesar de algumas vezes estranhas.


O filme é eficiente em trazer o feeling dos filmes mais clássicos de mistério e suspense, como os do Alfred Hitchcock - A trilha sonora no filme também remonta a essa sensação, além como o próprio cenário -, e é bem produzido, com cenas bem construídas e momentos bem costurados, embora não necessariamente interligados entre si. Além de inúmeros plot points costurados juntos, uns que fazem parte do produto final e outros não, são esquecidos pela trama só para ficar como uma pulguinha atrás da orelha do espectador.

Andrew Garfield como "Sam"

O que estou querendo dizer é que para pessoas que gostam de histórias mais bem estruturadas e lógicas, O Mistério de Silver Lake provavelmente não vai ser uma experiência muito agradável. O contrário é certo para pessoas que são mais sensoriais, e que buscam mais por sensações do que lógica e sentido.


O elenco está impecável, em especial, o Andrew Garfield, que faz o papel não de um herói ou uma pessoa que serve como modelo, muito longe disso, mas que tem seus defeitos, mas que é obstinado. Todos os personagens servem como caricaturas de arquétipos não de pessoas, mas de personagens que populam esse mundo paralelo e dark, ou como é retratado, que é Hollywood.


Uma coisa interessante, e bastante relacionada á temática do filme, é que O Mistério de Silver Lake foi boicotado pela própria produtora, que empurrou a estreia do filme por muito tempo, além de não dedicar quase nenhum marketing para o filme e optar por opções mais baratas quanto a distribuição em DVDs. Esses fatos podem ser atribuídos á má recepção do filme na premiação de Cannes, mas também á turbulência causada pelo escândalo relacionado a Harvey Weistein na época.


Em conclusão, O Mistério de Silver Lake é um bom filme, extremamente bem feito, apesar de as vezes ser ambicioso demais, mas até isso funciona no universo meio absurdista construído no filme. Para os leitores curiosos, eu recomendo deixar a lógica na porta da sala antes de começar a assistir, e apreciar o filme pelo o que ele é.

 
 
 

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Matinê Baiana

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