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Crítica - "Mufasa: O rei leão"

O modo como a narrativa é apresentada, ou seja, o formato apresentado em tela, é tão essencial quanto a trama em si. Existem histórias que somente são capazes de proporcionar todas as camadas necessárias para adentrar aquele mundo imagético por meio da perspectiva animada, no mundo das imaginações. Com a possibilidade de ser uma grande jornada, capaz de emocionar aqueles que cresceram com a animação, a empresa novamente decai sob a crescente, e consequente, cultura dos remakes, industrialização e fim das animações 2D. Com isso, a nova trama do universo do Rei Leão "Mufasa” é nada mais do que um antro de CGI. 

Imagem promocinal do filme "Mufasa: O rei leão"
Imagem promocinal do filme "Mufasa: O rei leão"

Intitulado como "Mufasa: O Rei Leão” o longa de 1h58m se divide em dois tempos: Acompanhamos Kiara, a filha de Simba e Nala sob os cuidados de Rafiki, Timão e Pumba, que para distraí-la de uma noite chuvosa, narram a história de Mufasa, e de como ele se tornou rei. Em paralelo, a história do jovem leão órfão e perdido surge em tela, com pequenas interrupções maçantes e exaustivas dos personagens já conhecidos pelo público. Com gírias ultrapassadas e piadas sem fim, a maçante interrupção dos personagens, mesmo adorados pelo público, cansam e tornam seus momentos maçantes.


Mufasa e seu protagonismo por si só já seria capaz de conduzir a trama por completo. Nessa jornada jamais conhecida pelo público, temos a oportunidade de conhecer o passado de Mufasa, mas principalmente a origem de Taka (Conhecido como Scar na animação) e de como essa irmandade passou para uma rivalidade. A complexidade do relacionamento entre ambos é um dos pontos altos do filme, que finalmente adiciona ao menos algumas leves expressões faciais que faltavam nas versão de live-action “O Rei Leão” (2019)


Os novos números musicais foram compostos por Lin-Manuel Miranda, este já sendo um veterano na Disney por se encarregar de compor outros longas que caíram no gosto do público como “Moana” (2016) e “Encanto” (2021). Infelizmente, as novas canções originais podem até ter coesão com a trama, mas nenhuma é marcante ao ponto de ser lembrada e cantada após sair do cinema. Com a direção de Barry Jenkins, diretor premiado por filmes como “Moonlight” (2016) e “Se a Rua Beale Falasse” (2018), a direção tenta proporcionar cenas de aventura, romance e fantasia. Infelizmente, elas são dificultadas pelo ultra realismo e a necessidade desnecessária de tornar filmes em tons pasteis e neutros, fugindo de cores vivas e marcantes. 


“Mufasa” é uma mesmice do divertimento. Consegue entreter, contagia em alguns momentos, aprimora seu antecessor, mas no final, entrega o vazio lucrativo que o público já está acostumado. Confesso que ao longo do tempo em que o filme passava ficava somente pensando “E se fosse uma animação 2D?” “E se utilizassem o imaginário para tornar essa história mais viva?”. No final, se tornam somente perguntas sem respostas, um ciclo sem fim de remakes e adaptações de animações em live-action.

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Matinê Baiana

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