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"Frankenstein" de Guillermo del Toro

Updated: Nov 10, 2025

Está vivo!


A versão de "Frankenstein" de Guillermo del Toro finalmente chegou à Netflix na primeira semana de novembro com a promessa de revitalizar a história... Retornando às origens dela.


Oscar Issac como Victor Frankenstein em "Frankenstein" / Imagem: The Movie Database
Oscar Issac como Victor Frankenstein em "Frankenstein" / Imagem: The Movie Database

Com visuais interessantíssimos e marcantes, além de um elenco de peso, a versão de Frankenstein de del Toro é promissora e conserta diversos problemas de tentativas anteriores de adaptar a obra de Mary Shelley.


Mas, assim como a criatura a quem Victor Frankenstein tenta dar vida, o filme é brilhantemente executado, mas falta o dilema interior, tão pungentemente dissecado no livro original.


É uma verdade universalmente conhecida que o filme nunca vai superar o livro em que é baseado, mas após a adaptação de "Pinóquio", Guillermo del Toro era o cineasta que mais poderia fazer a adaptação de Frankenstein chegar perto.


Del Toro nos faz rever a história, uma das mais conhecidas entre fãs do terror, sob uma perspectiva mais profunda logo a partir da linha fina do longa: "Somente monstros brincam de Deus", uma alusão á monstruosidade a que o egocentrismo de Victor Frankenstein o leva.


E que Victor! Livre das amarras de um personagem são, Oscar Issac se esbanja numa performance quase teatral, nos apresentando um Victor Frankenstein consumido pelo desejo de superar as conquistas do pai, ignorando toda e qualquer barreira moral de fazer um morto voltar á vida.


Oscar Isaac e Jacob Elordi em "Frankenstein" / Imagem: The Movie Database
Oscar Isaac e Jacob Elordi em "Frankenstein" / Imagem: The Movie Database

Sua performance é energética, obcecada e torturada pela possibilidade de cruzar a fronteira entre a vida e a morte, quebrando o tabu da impossibilidade. No entanto, embora Victor seja um médico e cientista brilhante, lhe falta moral e visão de futuro, o que acaba sendo sua ruína.


Se o livro é sobre a solidão do diferente, e como a percepção de algo pode mudar a realidade, a versão de Guillermo é sobre a paternidade falha, que abandona ao invés de cuidar, que foge ao invés de assumir responsabilidade.


No outro lado da moeda, temos a Criatura, interpretado magicamente por Jacob Elordi, que é uma das figuras mais trágicas da literatura. Um ser que não pertence ao mundo natural, perpetuamente a parte da raça humana até mesmo sendo impossibilitado de seguir o fluxo natural da vida.


Jacob Elordi como "a Criatura" em Frankenstein/ Imagem The Movie Database
Jacob Elordi como "a Criatura" em Frankenstein/ Imagem The Movie Database

A qualidade da performance de Elordi é inquestionável, e é algo que rouba a cena, comprovando o talento do ator.


A dinâmica entre ele e Isaac é eletrizante, mas é nas cenas solo que ele brilha, munido de um rosto extremamente expressivo, Elordi nos faz entender de forma visual a tortura do personagem, e o dilema entre a bondade inerente, ou a resposta violenta para a não aceitação de sua existência.


Em comparação com livro-base, Shelley coloca o leitor na mente de suas personagens: sentimos o peso de sua decisões, se suas angústias e o laço invisível entre criador e criatura, destinados a consumir um e outro. "Frankenstein", o filme, arrisca visualmente essa vertente, mas nos faz mais entender a tragédia do que sentÍ-la.


Visualmente exuberante, Guillermo del Toro mistura visuais saídos de um conto de fadas com o cinza de uma crônica vitoriana, construindo um mundo único, à margem do real. Nada em cena foge ao propósito: uma montagem digna de um dos maiores contadores de história visual que temos hoje.


Uma tentativa icônica e bem feita de introduzir de volta o conto gótico e vitoriano ao cinema, "Frankenstein" de del Toro é uma retomada vigorosa ao conto de Shelley, que, em minha opinião, ainda não foi superado.


Ficha Técnica de Frankenstein:


Direção: Guillermo del Toro

Roteiro: Guillermo del Toro

Elenco: Oscar Isaac, Jacob Elordi, Christoph Walts, Mia Goth, ...

Duração: 2 horas e 32 min

Plataforma: Netflix


Assista ao trailer de Frankenstein:



 
 
 

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Matinê Baiana

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